Fora das novelas desde uma participação na quinta versão de "Éramos Seis" (2019-2020), Irene Ravache vai ser vista novamente na TV com o retorno de "Além do Tempo" (2015-2016). A história foi escolhida para a vaga de "Terra Nostra" (1999-2000) no "Edição Especial" a partir do dia 27.
Na novela de Elizabeth Jhin, onde contracenou com um neto, Irene deu vida a duas personagens com o mesmo nome, Vitória, em diferentes fases da trama que corria em dois tempos, século XIX e dias atuais. O que poucos sabem é que a veterana, hoje aos 81 anos, e uma das famosas homenageadas na Calçada da Fama da Globo, garantiu nos anos 1980 afirmou que estava deixando as novelas, fazendo críticas ácidas à emissora líder.
"Posso até fazer minisséries, seriados. Mas esta, realmente, é minha última novela. Me desagrada o esquema de produção, o tempo que toma, a falta de previsão. A Globo foi crescendo e ficou daquele tamanho. Em vez de aumentarem os estúdios, fazem escritórios. E não se grava em escritórios", disparou a vencedora do Troféu Imprensa de Melhor Atriz em 1994 pela Lola de "Éramos Seis" (versão do SBT).
Na época, 23 de março de 1988, Irene estava no ar como Leonora de "Sassaricando" (1987-1988) e colecionava 15 novelas desde seu primeiro trabalho no segmento "Paixão de Outono" (Globo, 1985). "O sistema de produção de novelas briga com meu ritmo de trabalho", acrescentou a artista ao "Jornal do Brasil", sem poupar críticas.
"As condições de trabalho são muito difíceis. Esse negócio de suar a camisa é só para quem tem ações da emissora e eu não tenho. Quando me pego numa externa e o único lugar que tenho para fazer xixi é um bar infecto, sei que não estou mais para isso. A Globo pode melhorar as condições de trabalho para quem produz seu produto mais caro", recomendou.
"Aí você vai para a externa num ônibus quente, tudo fede, o motorista fede. Não quero mais brincar assim. Eu não. Depois morro, e olha eu morrendo triste", continuou Irene, uma das amigas a comparecer ao enterro de Juca de Oliveira (1935-2026), morto em meados de março.
Na entrevista ainda fez outras críticas ao sistema de gravação. "Acho que a Constituição devia proibir duas coisas: as gravações externas e as trocas de roupas nas novelas. É um absurdo o que se troca de roupa. Eu ainda prefiro o sistema da antiga Tupi. A gente gravava duas vezes por semana e todas as externas eram feitas na pracinha em frente, fosse a história que fosse, em, qualquer época que se passasse", apontou a atriz
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